Hoje me dá vontade de rir
Mas é um riso triste
Nem tentem entender
Porque nem eu sei a explicação
Acho que vou rir do vazio
Acho que vou rir da minha teimosia
Ou talvez eu ria apenas de mim mesma
Porque, apesar da minha alegria
Ainda cala na boca um riso triste
Porque o riso alegre é vazio
E o riso triste está cheio
Cheio de dor
Porque o riso alegre é fútil
E o riso triste é o que nunca vai embora
E o riso alegre é apenas a soma de ilusões
Em que você crê?
Nesse sopro insensato de vida?
Dor contundente
Tudo perda
Ilusão perene
Visão cega e bruta
Luz que turva os olhos
Sonhos diáfanos que se obscureceram com o peso da realidade
Com o peso do cotidiano
Existência vã
O que me falta?
Se antes faltava
E antes faltava
E antes também faltava
E agora continua faltando
Falta para mim o mesmo que falta para você
Porque as pessoas têm medo
Porque as pessoas se defendem de tudo
Não podem mais crer
Nem no amor
Nem nos sonhos
Acabo descrendo
E por assim ser
Acabo crendo que nada é real
Mas me consolo
Porque sei que
Para se crer em algo que valha a pena
É preciso antes deixar todas suas crenças
Serem levadas como por um rio
Serem lavadas com a água da chuva
Como quem se despe
E se olha e se vê pela primeira vez
Branca (09/03/2010)

