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9.3.10

Riso Triste

Hoje me dá vontade de rir
Mas é um riso triste
Nem tentem entender
Porque nem eu sei a explicação
Acho que vou rir do vazio
Acho que vou rir da minha teimosia
Ou talvez eu ria apenas de mim mesma
Porque, apesar da minha alegria
Ainda cala na boca um riso triste
Porque o riso alegre é vazio
E o riso triste está cheio
Cheio de dor
Porque o riso alegre é fútil
E o riso triste é o que nunca vai embora
E o riso alegre é apenas a soma de ilusões
Em que você crê?
Nesse sopro insensato de vida?
Dor contundente
Tudo perda
Ilusão perene
Visão cega e bruta
Luz que turva os olhos
Sonhos diáfanos que se obscureceram com o peso da realidade
Com o peso do cotidiano
Existência vã
O que me falta?
Se antes faltava
E antes faltava
E antes também faltava
E agora continua faltando
Falta para mim o mesmo que falta para você
Porque as pessoas têm medo
Porque as pessoas se defendem de tudo
Não podem mais crer
Nem no amor
Nem nos sonhos
Acabo descrendo
E por assim ser
Acabo crendo que nada é real
Mas me consolo
Porque sei que
Para se crer em algo que valha a pena
É preciso antes deixar todas suas crenças
Serem levadas como por um rio
Serem lavadas com a água da chuva
Como quem se despe
E se olha e se vê pela primeira vez

Branca (09/03/2010)

30.5.09

Para Você


Percebi uma tristeza em você
Bem lá no fundo dos seus olhos
Uma tristeza escondida
Atrás de um sorriso encantador
Tristeza revelada num lapso atemporal
Adormecida no seu coração
Coração de quem é sensível
De quem tem inquietude pela vida
De quem saboreia o mundo em suas minucias
Percebi uma lágrima em seus olhos
Lágrima que alguem fez brotar
Deixa-me enxugar essa lágrima
E adornar com meus beijos a sua face
Envolver suas mãos nas minhas
Suavemente tocar em seu rosto
Acariciar seus cabelos
Deitar sua cabeça em meu colo
E por fim, sem mais resistir
Beijar-te apenas
Um beijo quente e ofegante
Onde minha alma encontre repouso e paz
No silencio cálido da noite
E na perfeição dos teus lábios

By Branca - Todos os direitos reservados


9.5.09

Perfume Exótico



Quando eu a dormitar, num íntimo abandono,
Respiro o doce odor do teu colo abrasante,
Vejo desenrolar paisagem deslumbrante
Na auréola de luz d'um triste sol de outono;

Um éden terreal, uma indolente ilha
Com plantas tropicais e frutos saborosos;
Onde há homens gentis, fortes e vigorosos,
E mulher's cujo olhar honesto maravilha.

Conduz-me o teu perfume às paragens mais belas;
Vejo um porto ideal cheio de caravelas
Vindas de percorrer países estrangeiros;

E o perfume subtil do verde tamarindo,
Que circula no ar e que eu vou exaurindo,
Vem juntar-se em minh'alma à voz dos marinheiros.


Charles Baudelaire, in "As Flores do Mal"
Tradução de Delfim Guimarães
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