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23.4.11

Branco Jardim de Quimeras



Em meus sonhos sou luz
Que beija a tua face rosada
Percorre teu corpo
Deseja a tua boca
De puro delírio e desejo
Doce vício
Torrentes de amor
Quimera perfeita
Paixão eleita e sentida
Teus lábios de carne quente e macia
Transforma tudo em poesia.
Visão mais que perfeita
Jardim de acácias alvas
Jasmim perfumado
Doce serenata
Rosa rubra orvalhada 

by Branca   [12/01/2010]

9.3.10

Riso Triste

Hoje me dá vontade de rir
Mas é um riso triste
Nem tentem entender
Porque nem eu sei a explicação
Acho que vou rir do vazio
Acho que vou rir da minha teimosia
Ou talvez eu ria apenas de mim mesma
Porque, apesar da minha alegria
Ainda cala na boca um riso triste
Porque o riso alegre é vazio
E o riso triste está cheio
Cheio de dor
Porque o riso alegre é fútil
E o riso triste é o que nunca vai embora
E o riso alegre é apenas a soma de ilusões
Em que você crê?
Nesse sopro insensato de vida?
Dor contundente
Tudo perda
Ilusão perene
Visão cega e bruta
Luz que turva os olhos
Sonhos diáfanos que se obscureceram com o peso da realidade
Com o peso do cotidiano
Existência vã
O que me falta?
Se antes faltava
E antes faltava
E antes também faltava
E agora continua faltando
Falta para mim o mesmo que falta para você
Porque as pessoas têm medo
Porque as pessoas se defendem de tudo
Não podem mais crer
Nem no amor
Nem nos sonhos
Acabo descrendo
E por assim ser
Acabo crendo que nada é real
Mas me consolo
Porque sei que
Para se crer em algo que valha a pena
É preciso antes deixar todas suas crenças
Serem levadas como por um rio
Serem lavadas com a água da chuva
Como quem se despe
E se olha e se vê pela primeira vez

Branca (09/03/2010)

27.9.09




Me sentindo sozinha
Impotente diante de tudo
Sem sonhos
Hoje eu estou mal
Depois passa
Eu já me acostumei a ser assim
Viver numa montanha russa de sentimentos
Cada hora é uma coisa diferente
Hoje é isso... solidão
Eu até gosto de solidão... mas não essa
Gosto de ficar sozinha .... mas minha solidão é a falta de sonhos
Acho que essa é a pior de todas

by Branca

29.4.09

FANATISMO


Minh’alma, de sonhar-te, anda perdida
Meus olhos andam cegos de te ver !
Não és sequer a razão do meu viver,
Pois que tu és já toda a minha vida !

Não vejo nada assim enlouquecida ...
Passo no mundo, meu Amor, a ler
No misterioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida !

"Tudo no mundo é frágil, tudo passa ..."
Quando me dizem isto, toda a graça
Duma boca divina fala em mim !

E, olhos postos em ti, digo de rastros :
"Ah ! Podem voar mundos, morrer astros,
Que tu és como Deus : Princípio e Fim ! ..."


Florbela Espanca
Livro de Soror Saudade (1923)