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8.1.12

Clarice Lispector fala por mim.






CARTA DE BERNA
(Clarice Lispector a Tania Kaupmann)

Berna, 6 janeiro 1948

Minha florzinha,

recebi sua carta desse estranho Bucsky, datada de 30 de dezembro. Como fiquei contente, minha irmãzinha, com certas frases suas. Não diga porém: descobri que ainda há muita coisa viva em mim. Mas não, minha querida! Você está toda viva! Somente você tem levado uma vida irracional, uma vida que não parece com você.

Tania, não pense que a pessoa tem tanta força assim a ponto de levar qualquer espécie de vida e continuar a mesma. Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso — nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro.

Nem sei como lhe explicar, querida irmã, minha alma. Mas o que eu queria dizer é que a gente é muito preciosa, e que é somente até certo ponto que a gente pode desistir de si própria e se dar aos outros e às circunstâncias. Depois que uma pessoa perder o respeito de si mesma e o respeito de suas próprias necessidades — depois disso fica-se um pouco um trapo.

Eu queria tanto, tanto estar junto de você e conversar, e contar experiências minhas e de outros. Você veria que há certos momentos em que o primeiro dever a realizar é em relação a si mesmo. Eu mesma não queria contar a você como estou agora, porque achei inútil. Pretendia apenas lhe contar o meu novo caráter, ou falta de caráter, um mês antes de irmos para o Brasil, para você estar prevenida. Mas espero de tal forma que no navio ou avião que nos levar de volta eu me transforme instantaneamente na antiga que eu era, que talvez nem fosse necessário contar.

Querida, quase quatro anos me transformaram muito. Do momento em que me resignei, perdi toda a vivacidade e todo interesse pelas coisas. Você já viu como um touro castrado se transforma num boi? assim fiquei eu..., em que pese a dura comparação... Para me adaptar (sic) ao que era inadatável (sic), para vencer minhas repulsas e meus sonhos, tive que cortar meus aguilhões — cortei em mim a força que poderia fazer mal aos outros e a mim. E com isso cortei também minha força.

Espero que você nunca me veja assim resignada, porque é quase repugnante. Espero que no navio que nos leve de volta, só a idéia de ver você e de retomar um pouco minha vida — que não era maravilhosa mas era uma vida — eu me transforme inteiramente.

Mariazinha, mulher do Milton, um dia desses encheu-se de coragem, como ela disse, e me perguntou: você era muito diferente, não era? Ela disse que me achava ardente e vibrante, e que quando me encontrou agora se disse: ou esta calma excessiva é uma atitude ou então ela mudou tanto que parece quase irreconhecível. Uma outra pessoa disse que eu me movo com uma lassidão de mulher de cinqüenta anos. Tudo isso você não vai ver nem sentir, queira Deus. Não haveria nem necessidade de lhe dizer, então... Mas não pude deixar de querer lhe mostrar o que pode acontecer com uma pessoa que fez pacto com todos, e que se esqueceu de que o nó vital de uma pessoa deve ser respeitado.

Minha irmãzinha, ouça meu conselho, ouça meu pedido:
respeite a você mais do que aos outros, respeite suas exigências, respeite mesmo o que é ruim em você — respeite sobretudo o que você imagina que é ruim em você — pelo amor de Deus, não queira fazer de você uma pessoa perfeita —não copie uma pessoa ideal, copie você mesma — é esse o único meio de viver. Eu tenho tanto medo de que aconteça com você o que aconteceu comigo, pois nós somos parecidas.

Juro por Deus que se houvesse um céu, uma pessoa que se sacrificou por covardia — será punida e irá para um inferno qualquer. Se é que uma vida morna não será punida por essa mesma mornidão. Pegue para você o que lhe pertence, e o que lhe pertence é tudo aquilo que sua vida exige. Parece uma moral amoral. Mas o que é verdadeiramente imoral é ter desistido de si mesma. Espero em Deus que você acredite em mim. Gostaria mesmo que você me visse e assistisse minha vida sem eu saber — pois somente saber de sua presença me transformaria e me daria vida e alegria. Isso seria uma lição para você. Ver o que pode suceder quando se pactuou com a comodidade de alma.

Tenha coragem de se transformar, minha querida, de fazer_o que você deseja – seja sair nos week-end, seja o que for. Me escreva sem a preocupação de falar coisas neutras — porque como poderíamos fazer bem uma a outra sem esse mínimo de sinceridade?
Que o ano novo lhe traga todas as felicidades, minha querida. Receba um abraço de muita saudade, de enorme saudade de sua irmã
Clarice-

(Nota: Carta de Clarice Lispector à sua irmã Tânia, do livro "Correspondências Clarice Lispector", Editora Rocco, págs. 165, 166, 167)

28.2.11

Pelo direito de ser quem se é.






Por que às vezes o amor é sufocante?
Por que às vezes aquele que ama acha que amar é construir um terrário e colocar quem se ama lá dentro?
Pode ser o terrário mais lindo e perfeito do mundo, mas ele sufoca, inibe, castra, limita.
O amor é isso?
Esse tipo de amor rouba a felicidade de ambas as partes.
O amor tem que ser com liberdade e respeito para cada um poder ser quem se é. Sem culpa.
Sem aquele papinho de que "Você tem que mudar"
Tudo bem se você tem que mudar algo, afinal todo mundo tem que melhorar. Mas quando você tem que ser praticamente outra pessoa, então já passou do ponto - Será que só tenho defeito? a gente se pergunta.
Um dia se cansa de se torturar tentando ser o que as pessoas julgam ser o melhor, o certo. E você começa a reparar que essas mesmas pessoas também têm monte de defeitos, que não sabem administrar nem suas próprias vidas, mas querem administrar a sua.
Um dia você percebe que passou sua vida toda preocupado em ser perfeito. Em atingir metas. Atender as expectativas de todo mundo que você julga importante, como se só assim você fosse ser amado ou admirado por elas.
Eu lhe digo que se essas pessoas te amam mesmo elas continuarão te amando ainda que você não seja perfeito, porque a gente já sabe que esse negócio de perfeição não existe mesmo. É ilusão.
As pessoas que você hoje julga perfeita só são porque você ainda não conviveu com ela.
Quem ama sabe, sobretudo como te falar sobre algo que não está legal, sem te jogar pra baixo. Sem ser rude. Sabe fazer uma poda que fortalece e não uma poda que arranca suas forças.
Além de que você não vai conseguir ser outra pessoa só para agradar o outro pelo resto da vida.
Ser a gente mesmo é um direito básico e inalienável de qualquer um.
Se você deixar passar a oportunidade de ser você mesmo você não vai existir.
Permita-se.
Eu também quero conseguir isso.
by Branca

11.9.10

Sobre a Verdade e o Amor

A verdade?
Não, eu não posso suportá-la. 
Por isso eu me recriei. 
Me reconstruí como se eu fosse forte, 
corajosa, 
independente, 
auto suficiente. 
E assim eu me tornei, 
por questão de sobrevivência. 
Eu não tinha ninguém para me defender
então eu tive que me armar de todos os lados
para parar de sentir tanta dor. 
Eu sou frágil, justamente por isso mais forte eu sou!


O amor? 
Eu cansei de acreditar, 
eu cansei de esperar, 
eu cansei de me dar, 
eu cansei de ter expectativas, 
eu cansei de querer. 
O problema é que eu não sei me dar pela metade, 
e assim eu também quero, 
tudo por inteiro. 
E isso é burrice.


Branca

10.4.10

Angústia



Angústia
Dor cortante na minha carne
Força que aperta meu peito
Estranho
Tremo
Mal respiro
De onde vem essa coisa
Essa tortura incessante
Pálida
Sabes o que é sentir falta
Falta do que poderia ter sido
E nem se sabe?
Sabes o que é estar vivendo uma vida
Mas saber que essa não é a tua vida?
Tua vida era para ser outra.
Sabes o que é isso?
A dor do quase.
A dor de não ter tido coragem.
A dor do passado todos os dias batendo a sua porta.
Tirando o seu sono.
Revirando teus armários .
Tirando tudo do lugar.
Inquietante.
Teu silêncio dói dentro de mim.


by Branca



publicado no blog http://facenoturna.blogspot.com/ em 24/09/2009

5.1.10

Coragem





Amanhã é outro dia
Levantarei a cabeça
Acreditarei que ainda posso
Acreditarei em mim
Não desisti
Você ainda não me conhece
Estou só começando
Não vou me trair


22/05/09 
 

by Branca - Todos os direitos reservados

31.12.09

Dia de agradecer.

Hoje é o último dia do ano de 2009. E eu não poderia deixar de postar aqui.
Esse ano significou demais para mim. O ano onde tive todas as emoções nos extremos. Alegria e Tristeza. Amor e Ódio. 
Houveram dias em que eu estava tão feliz que parecia poder flutuar. Em outros a tristeza era tamanha que queria desaparecer da face da Terra. Desejei jamais ter existido.
Mas hoje eu estou aqui para agradecer a Deus por esse ano. 
Ele foi um marco. Um divisor de águas. 
Foi o fim de uma longa depressão. 
Foi o ano do meu renascimento. 
Do meu recomeço. 
Do meu encontro comigo mesma e desse encontro nasceu uma paixão enorme pela vida. 
E com essa paixão veio tudo o que me faltava: coragem, certeza, força e principalmente ATITUDES TOMADAS para uma consciência limpa e tranqüila.  
Creio que esse ano eu vivi minha vida de fato, tomei as rédeas, tive coragem de fazer oque tinha que ser feito e agora posso me olhar de frente no espelho pois não devo mais nada a mim mesma. 
Pois eu estava me negando a felicidade. 
Eu estava me enganando e me destruindo lenta e dolorosamente.
2009 será para mim aquele ano que ficará para sempre marcado na minha história de vida.
Apesar de toda a lágrima derramada ... 
Apesar de todos os sacrifícios ... 
Mesmo, talvez, tendo ferido alguém ...
Ainda assim eu prefiro ter tido a coragem de ser verdadeira.
Eu devia isso a mim mesma.
FELIZ 2010 À TODOS!!!
Amo vocês meus adoráveis leitores, seguidores, amigos e parceiros.
Espero que possamos passar mais um ano juntos!!
Obrigada pelo apoio, estimulo, carinho. Isso foi fundamental pra mim!!
Beijinho_os

by Branca

3.10.09

Paixão


Temia sua força arrebatadora
Inclemente
Atordoante
Viciante
Inebriante
Quem se arrisca em perder o equilíbrio?
Quem se arrisca a perder o domínio?
É preciso coragem 
Para fechar os olhos 
E se entregar

by Branca - Todos os direitos reservados

3.9.09

Poetisa Louca


Não faz mais poemas como dantes
Poetisa do coração calado
Quem olha por fora
Não vê a dor que há
Dor maior nem há
Poetisa louca e calada
Mulher de aço e fibras
A cada passo que dá
Entre passando
Por entremeios
Passa como uma fita
Passa que nem passarinho
Passa e passa
Mulher de aço e fibra
Prossegue entrelaçando
Por entremeios da vida
Mulher é assim
Morre hoje e renasce mais forte e linda amanhã
Poetiza de aço e fibra
Aço que fere e fibra que cura e vibra
Pulsa no coração mesmo que calado
Cada coisa no seu tempo
Ela respeita o seu próprio tempo
Mais do que ninguém
Ela passa e deixa pra trás
O que não vale a pena carregar
Passada em frente
Segue firme
Coerente

by Branca